Texto bíblico: Hebreus 10.36
Vivemos no
mundo onde o imediatismo tem atuado com proporções cada vez maiores, tal
movimento tem atingido tanto a vida secular como infelizmente a vida espiritual
das pessoas, visto que somos influenciados a vivermos um estilo de vida
corriqueira e extremamente impaciente, já parou pra pensar nisso? Queremos tudo
rápido, mas é bom lembrarmos que no aspecto da vida cristã, Deus não oferece a
paciência como opção, mas como necessidade, usar essa virtude como opção,
principalmente quando se conhece o perigo dos seus males, é o mesmo que atrair
problemas para si e os que estiverem à sua volta.
Só para
entendermos um pouco a relevância de tal assunto sob o aspecto tempo na esfera
da existência e da continuidade de nossa vida; Embora já tenhamos vivido muitos
dias, a realidade é que de todos eles, Deus nos condicionou viver apenas um dia
após o outro, ou seja, literalmente vivemos debaixo da dependência de Deus, por
mais que sejamos ansiosos a ponto de tentarmos antecipar os dias, as semanas,
os meses e os anos, o fato é que o amanhã não nos pertence, só Deus é quem sabe
e só Deus é quem garante tal realização, mas é interessante como isso nos leva
a pensar em outro ponto mais distante, porém relacionado ao mesmo aspecto tempo,
o nosso futuro, observe como dependemos de Deus, pois para vivermos um futuro
esperançoso, necessariamente precisamos esperar no Senhor, contudo essa
esperança futura nos pede uma ação presente, entrega o teu caminho ao Senhor, confia
nele e Ele tudo fará. Salmos 34.5; O que está faltando para isso acontecer em
sua vida? Porque ou por quem você está esperando? Quero lembrar-lhe que
ninguém se decepciona quando espera em Deus, ainda que os seus desejos não
sejam totalmente realizados, Deus sabe exatamente quais desejos necessitam de
respostas, não devemos compará-Lo aquele gênio da lâmpada mágica que aparece
nos desenhos animados e costuma “satisfazer” os pedidos que lhe fazem, porém sem
nenhum compromisso com a pessoa, apenas com a realização do pedido e sem se
importar com quaisquer conseqüências, em contra partida, Deus é o
nosso socorro bem presente (imediato), na hora da angústia, ou seja, nas horas
de nossas reais necessidades, Salmos 121.1, Contudo Seus feitos nunca ocorrem
desconexos com Sua vontade, Ele não quer apenas realizar nossos reais desejos
de forma imediata, Ele quer realizar a Sua vontade por toda a nossa vida.
Quero
abaixo, conceituar e enfatizar a necessidade da paciência em nossa vida bem
como no âmbito do nosso servir a Deus:
Definição:
Perseverança, firmeza, constância e continuidade, não é sinal de falta de
reação! A paciência normalmente respeita o tempo.
1º No
âmbito do nosso percurso rumo ao Céu, em Hebreus 12.1 somos exortados
a corrermos a carreira que já está proposta, porém com paciência, a fim de que
seja possível olharmos para Jesus, sua vida, sua missão, seu ministério, seus
milagres, seus ensinamentos, suas pregações, suas promessas, seu sofrimento na
rude cruz, sua morte e sua ressurreição, Ele também teve uma carreira que lhe
estava proposta, contudo, pacientemente suportou a mais sofrida e dolorosa
missão (perdoar e salvar o mundo), se tivesse pressa no percurso de Jerusalém
até o local da crucificação, certamente o faria, tendo em vista que as dores
eram profundamente rudes, nesse aspecto, se corremos rápido, nos faltará tempo
e oportunidade para olharmos para Jesus, autor e consumador da fé.
2º No
âmbito do sofrimento, em Tiago 5.11, bem-aventurado são os que enfrentaram o
sofrimento, assim como o patriarca Jó, que dentre as características que
formavam o seu caráter de servo, uma delas era exatamente a paciência no lugar
da murmuração, a fé no lugar da incredulidade e a confiança no lugar da
incerteza, Jó 31.34, todos nós provavelmente conhecemos um pouco a sua
história, bem como o seu final ricamente abençoado por Deus, mas sabemos que
não fácil passar por uma experiência um tanto dolorosa, contudo nós precisamos
acreditar que nem tudo está perdido, se o tempo presente do patriarca não
estava bom, com exceção da sua vida com Deus, apenas uma alternativa estava à
sua frente (esperar e confiar em Deus, ainda que para isso, lhe custasse
morrer) Jó 13.15.
3º No
âmbito de uma resposta de Deus, bem como a
vocação para o exercício ministerial ou quaisquer que sejam as ocupações que
Ele nos confiou, em Salmos 40.1, temos a presença de dois termos de suma
importância para a vida daqueles que procuram fazer a vontade de Deus, posto que
não basta apenas esperar, é preciso está acompanhado entre outras
virtudes, da paciência, a fim de não discorrermos em atitudes e comportamentos
totalmente reprováveis pelo Senhor (inquietação, ansiedade, desespero, medo e frustrações)
e pior, sairmos da direção e da dependência de Deus, talvez você tenha pensado
nos reis Saul e Davi, quantas diferenças antônimas entre ambos, inclusive no
que diz respeito a esperar e ter paciência; Vamos pensar primeiro em Saul, um
dia ele recebeu uma ordem de Deus para lutar com seus homens contra os amalequitas
e destruí-los totalmente, por sua vez, ele poupou o rei e os melhores dentre os
animais, sua atitude foi sem dúvida característica de uma conduta marcada pela desobediência,
apesar de ter oferecido para Deus um sacrifício qualitativo do ponto de vista
da oferta, a verdade é que ele havia saído da direção Divina, foi arrogante e sobre
tudo impaciente, por ser rei talvez pensou fazer o que bem quisesse, embora
reprovado, tentou assumir a função que era atribuída exclusivamente ao
ministério sacerdotal, no caso Samuel, pensemos agora em Davi quantas vezes foi
paciente e tolerante com Saul, apesar de já ungido rei de Israel, não teve
inquietação nem ansiedade para assumir o reinado, soube esperar com paciência,
este exemplo nos deixa uma grande lição; Para as pessoas semelhantes ao perfil
de Davi, não importava qual fosse o ministério confiado, elas simplesmente
serviam a Deus, pois esperavam em Deus, tinham paciência em Deus, confiavam em
Deus e sabiam que dependiam de Deus, fossem levitas, sacerdotes, profetas,
juízes e reis, penso que esses princípios não podem jamais está ausentes nem
mesmo distante de nossa vida, posto que a falta destes, interfere na nossa
comunhão com o Senhor e desqualifica nosso serviço prestado em Sua obra, considerando que Sua vontade, segundo o contexto de Romanos 12.2, é
boa, agradável e perfeita, não convém agirmos fora desta! Seja no exercício da vida ministerial ou na vida cristã como um todo.
Por falar da carta aos Romanos, vamos pensar
ainda no capítulo 5 versos 3,4, observe como um aparente sofrimento destrutivo (a
tribulação) é capaz de produzir uma tão forte virtude (a paciência), na verdade
precisamos entender está consciente que o conteúdo do evangelho sob o ponto de
vista humano é totalmente antagônico à nossa razão, posto que quando
enfrentamos sofrimentos e tribulações, logo pensamos ser o fim, mas é
exatamente aqui que temos da parte de Deus um grande mistério (consolador,
promissor e esperançoso), capaz de nos encher de júbilo sem qualquer
necessidade de estarmos em um ambiente festivo, me lembro do apóstolo Paulo
quando cheio da graça escreveu: Pelo que sinto alegria nas fraquezas, nas
injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo,
porque, quando estou fraco, então, sou forte! II Coríntios 12.10, no presente
contexto ele já havia orado três vezes para Jesus repreender um mal que de
certa forma afligia a sua vida, mas ao ter a resposta de suas orações, muito
embora diferente do que ele esperava, a graça de Jesus era suficiente e não era
a cura daquela suposta enfermidade ou de outra circunstância qualquer, que
determinaria o fluir do grande mistério do evangelho na vida do apóstolo,
certamente ele aprendeu ser paciente, essa paciência lhe trouxe experiência, a
experiência lhe trouxe a esperança de entre outras bênçãos, um dia possuir um
corpo perfeito e glorioso, nunca mais sujeito as fraquezas, aos sofrimentos e
as dores da presente vida.
4º No âmbito
da adoração e da continuidade da vocação para o exercício ministerial, em Êxodo
32.1, Moisés havia subido ao monte por ordem de Deus, mas tardava para voltar,
os judeus por sua vez não foram pacientes, visto não conseguiram esperar o
regresso do seu líder, tomaram então uma decisão precipitada, fruto de suas inquietações
e ansiedades, isso teve repercussão espiritual, moral e física; Fizeram um
bezerro de ouro para o exercício de uma adoração idolatra, infelizmente, tiveram
que pagar seus erros com suas próprias vidas, pois Deus não os deixou impunes, aqui
temos outra lição a ser seguida, precisamos ter paciência para adorarmos ao
Deus que não se vê, do que um deus que se vê, mas nada pode fazer e jamais
podemos passar na frente da nossa liderança, ainda que ela esteja ausente, se
não sabemos por que está tardando em se apresentar, no mínimo temos que orar
por ele, mais cedo ou mais tarde ele vai regressar para continuar sua missão, e
certamente virá com alguma coisa boa da parte de Deus e aí sim, podemos adorar
por termos demonstrado submissão à vontade de Deus e do líder (esperar), tenhamos
cuidado para não cedermos à pressão do povo, se fomos chamados para cooperamos
junto aos nossos líderes, façamos isso com prudência, mas também com paciência,
a exemplo, Josué mesmo recebendo carta branca para nomear e liderar os homens
de guerra, sempre procurava permanecer pacientemente, submisso às ordens de sua
liderança (Moisés), mesmo com vocação, habilidade e capacitação para o
exercício de liderança, só assumiu a continuidade desta, quando Deus o chamou, não
quero com isso desmerecer os demais, porque na verdade todos eles de alguma
forma desempenharam o seu papel, embora com algumas falhas, como no presente
caso de Arão, mas como ninguém é perfeito, é claro que isso não invalida o seu perfil
e nem mesmo o exercício do ministério que o Senhor lhe confiou (sacerdote), o
ponto em questão é que necessitamos aprender com exemplos como esses, as coisas
nem sempre acontecem da noite para o dia, não caímos de para quedas e não
entramos de gaiato no navio, José não chegou a ser governador do Egito logo após
ter acordado do sonho, ele teve que enfrentar cada etapa das adversidades que
marcaram o percurso da conquista, mas vale afirmar que o sonhador pôde
vislumbrar a fiel realização dos sonhos, volto a mencionar o aspecto tempo no
trajeto da nossa vida, tudo o que Deus planejou para você vai acontecer,
entretanto necessitamos de paciência para podermos primeiro fazer a vontade de
Deus e só depois alcançar a promessa, não devemos procurar a auto-promoção nem
mesmo fazermos marketing da nossa vocação ministerial, quem nos apresenta é o
Senhor, no evangelho de Cristo não existe lugar para propagandas humanistas e
nem para negócios com fins lucrativos e interesseiros, o evangelho não é
comércio que envaidece o homem em sua arrogância e prepotência quanto a sua
prosperidade material, mas uma dádiva de Deus para o desgraçado homem em seu
alarmante e urgente estado espiritual: miserável, pobre, cego e nu, Apocalipse
3.17-20, procuremos fazer o que apraz o Senhor, no mais o que há de vir virá e
não tardará porque fiel é o que prometeu o qual também o fará. Hebreus
10.23,36,37.
5º No âmbito
da fé, em Isaías 28.16, diz a última parte: Aquele que crê não se adiante, visto
que a fé produz firmeza em Cristo (pedra já provada, I Pedro 2.6,) e nos isenta
de confusões e inquietações, ela costuma agir com cautela, sem ira, sem briga e
sem contenda, a fé anda em parceria contínua com a paciência, ambas não
costumam incitar as guerras, mas ambas costumam apaziguar os conflitos e as
tensões, aqui, vamos nos reportar a maneira como o homem de fé (Abraão), por
ocasião do surgimento das contendas entre os pastores do seu sobrinho Ló e os
seus pastores, resolveu o problema pacificamente, ele nos ensina que além de
ter fé, também é necessário ter paciência. Gênesis 13.7-14, porque não falarmos
de outro patriarca que durante o tempo em que esteve com sua família e os
animais dentro da arca, necessitou de fé, mas também de paciência em Deus para
esperar até o término do dilúvio bem como a diminuição do volume da água que
segundo a bíblia, fora tão grande que cobria os montes. Gênesis 8.1-6.
6º No
âmbito da cura, em João 5.1 o até então paralítico de betesda permaneceu
buscando sua cura durante 38 anos, ele soube esperar, ainda
que por vezes decepcionado em suas tentativas, ele poderia mudar de lugar ou
até tentar outros meios, mas mesmo consciente de suas limitações físicas, ele
não desistiu do seu objetivo, a cada determinado tempo que o anjo descia e
agitava as águas, todos também fiavam agitados pela nova oportunidade de poder
tentar outra vez, mas o fato angustiante no seu relato era que toda vez que ele
tentava descer, outro descia no seu lugar, se entre eles, alguém soubesse o
momento exato em que a água seria agitada, ele entrava primeiro no tanque para
receber a cura, mais a bíblia diz, que o milagre só acontecia depois que o anjo
agitava as águas, se dentre eles alguém entrasse antes, nada acontecia,
continuaria deficiente, isto implica em uma lição, todos eles necessitam de
paciência para esperar e só tentar entrar no tempo certo, ou seja, depois do
movimento na água, não se desespere, procure o milagre em Cristo, espere,
persevere, fique firme, confie e não desista do seu propósito, no tempo certo
Deus poderá ti abençoar com um milagre, mas claro, se Ele quiser, pois não
fazer um milagre de cura não significa afirmar que o evangelho não é tão
eficaz, nosso problema em enxergar sob esse ponto de vista, é que somos muito
tendentes a olharmos para a amplitude da vida apenas na esfera do contexto
físico e material, mas a verdade é que o evangelho proporciona para as pessoas
em geral, uma profunda reserva de milagres incomparáveis (libertação,
regeneração, reconciliação, justificação, perdão, tudo como elementos que
compõem uma tão grande salvação), não falo isso no sentido de oposição a um
pedido de milagre, visto que Cristo não mudou e ainda hoje, pode curar, nosso dever
é pedir, porque para Deus nada é impossível, Lucas 1.37, Ele é o mesmo ontem,
hoje e eternamente. Hebreus 13.8.
Conforme
visto, a paciência não é uma opção, onde se possa escolher entre ter ou não
ter, ela é uma necessidade, Hebreus 10.36, não existindo tal virtude, não conseguiremos fazer a vontade de Deus e não alcançaremos
as promessas dentro do tempo determinado, mais uma vez, mim refiro a Abraão e
sua esposa Sara, ambos receberam uma promessa de terem um filho, porém por não
terem paciência não conseguiram fazer a vontade de Deus naquele episódio (esperar
o tempo determinado que Ele havia dito cumprir a promessa, Gênesis 21.1,2), finalizo
reafirmando a necessidade da paciência durante a existência e a continuidade de nossa vida com o Senhor, seja no percurso até a eternidade, no sofrimento, na fé, na busca de um milagre, no exercício do ministério ou em quaisquer ocupações que demonstrem nosso servir a Deus.
A paz do Senhor.
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