Uma exposição exegética sobre a parábola do filho pródigo

Texto bíblico: Lucas 15.11-32


O termo parábola transmite-nos a ideia de comparação e ilustração de coisas, no contexto bíblico, fala-nos de coisas materiais e espirituais, normalmente é contada por meio de uma narrativa alegórica, cuja linguística se caracteriza pelo emprego da linguagem figurada.
Seus principais objetivos são: Apresentar para o povo verdades de cunho moral e espiritual, bem como a revelação do reino de Deus entre os homens, mas há outro ponto importante, a parábola possui uma verdade central em sua mensagem, portanto, nem todos os elementos ou personagens apresentados necessitam de interpretação para a sua compreensão como um todo, posto podemos fazer uma narrativa extensa e com vários elementos, contudo, termos uma intenção geral a comunicar, por exemplo, a parábola das dez virgens, se formos tentar entender porque as cinco loucas saíram da casa para comprar o azeite que lhes havia faltado, concluiremos que entre as dez não existia amor e nem união, posto que as outras cinco tinham reserva em suas vasilhas, mesmo assim não repartiram entre si, todavia, estes não são os temas gerais que devem ser considerados por estarem contidos ali, o tema na verdade fala de vigilância, alerta, prudência, posto haver necessidade de preparação para a chegada iminente do esposo.   
Por vezes Jesus pregou e ensinou as verdades do evangelho utilizando este método, posto saber que o povo necessitava ouvir e compreender suas mensagens a partir do uso de uma linguagem simples e conhecida por eles.

Vejamos abaixo, um comentário sobre a parábola em questão.

1º Verso 11 – Conhecendo figuradamente os personagens narrados: Certo homem (Deus) tinha dois filhos (os fariseus e os pecadores), vale salientar que aqueles costumavam desprezar e excluir estes de qualquer possibilidade de relacionamento com Deus, em razão das práticas imorais e desagradáveis diante de Deus, Lucas 15.1,2, mas observemos como Jesus propõe para ambos, uma mensagem graciosa e amorosa, acerca do perdão sem qualquer distinção, exclusivismo ou desigualdade.

2º Verso 12 – Não irei recitar os textos bíblicos no intuito de apenas expormos o breve comentário, o filho mais novo tomou uma atitude de independência e o seu pai respeitou a sua decisão (capacidade de escolha), repartindo por eles a fazenda.

3º Versos 13,14 – As atitudes e o comportamento do filho mais moço caracterizam desperdício (mau uso dos bens), dissolução (comportamentos imorais e contrários aos ensinamentos éticos de seu pai) imprudência (gastou tudo), despreparo (dificuldade para enfrentar um problema - fome coletiva,

4º Verso 15 – Desonrado na profissão (trabalhou em uma atividade extremamente desprezível dentro da cultura judaica – pastor de porcos, visto que pela lei do sacrifício, este era considerado um animal impuro).

5º Verso 16 – Padeceu necessidade física (desejou se alimentar com os alimentos dos porcos) e foi privado de qualquer ajuda.

6º Verso 17 – Estado de Humilhação (lembrou do suprimento dos simples empregados do seu pai, deixou de lado as prerrogativas de sua filiação que em contra partida estava perecendo de fome.

7º Versos 18,19,21 – Arrependimento (o filho estava movido por um sentimento que esvazia e impulsiona pensamentos e confissões de indignidade de qualquer privilégio com Deus), bem como mudança de atitude caracterizada por sua volta para o lar paterno, afinal de contas, se o arrependimento atua em nosso ser interior e se revela no exterior, o filho precisava concretizá-lo; Provérbios 28.13   

8º Versos 20,22,23,24 – Perdão, restauração e celebração (o pai evidência o perdão com o seu interior, “íntima compaixão”, logo após demonstra suas ações no exterior, “corre em direção ao filho, o abraça e o beija”), a reconciliação entre ambos foi reativa, mas o pai não apenas o perdoa, além disso, providencia (vestes, calçados, anel e festa), representando o cuidado, a honra e a alegria que o pai estava dispensando para com o filho que estava perdido, mas foi achado, estava morto, mas reviveu.

9º Verso 25,32 – Observe agora a próxima parte da parábola para entender o que Jesus narra acerca das palavras, atitudes e comportamentos do filho mais velho representando a classe dos fariseus; A princípio era um filho trabalhador, visto está no campo cuidando dos negócios do seu pai, mas ao ouvir o som de um evento festivo, perguntou para um servo o que estava acontecendo, depois que recebeu a notícia, se indignou contra o seu irmão e contra o seu pai, apesar de ser obediente aos mandamentos deste, não atendeu seu pedido, mesmo com a insistência bondosa para entrar, participar e se alegrar juntos; Sua arrogância, seu aparente zelo religioso, legalista e exclusivista, não conseguiu enxergar no seu pai, nenhum ato de amoroso, nenhum ato de bondoso, nenhum ato de perdão e nenhum ato de regozijo, se não foi capaz de enxergar as gloriosas expressões dos atributos paternos, como poderia perceber as qualidades que atuavam sobre os sentimentos e as atitudes do seu irmão? Se não viu nada disso no seu pai, como poderia ver no seu irmão?
O filho mais velho olhou somente para a condição imerecida do seu irmão, observe que em nenhum momento ele demonstra preocupação fraternal (apesar de ser irmão), até cita a bondade do seu pai em matar um animal cevado, mas não foi capaz de perceber a dimensão que esta bondade estava propondo para o seio familiar como um todo, afinal, era a reintegração de um membro importantíssimo, que quando saiu deixou saudades, mas quando voltou trouxe felicidade; O olhar do filho mais velho estava voltado somente para os erros que o seu irmão havia cometidos, sua justificação própria não permitiu enxergar seus erros, mas apenas os erros alheios, contudo, o interessante é que o pai o amava tanto quanto o filho mais novo, apesar das imperfeições e dos pecados de ambos, a realidade é que o pai estava disposto para perdoar tanto a um como o outro.  

Conclusão
A presente parábola narra o comportamento imoral e desonroso dos pecadores de modo geral, figurados na pessoa do filho pródigo, assim como os fariseus (na pessoa do filho mais velho) que também pecavam por não demonstrar um correto relacionamento digno de exceder a justiça de Deus em suas vidas, eram religiosos e conheciam as leis, mas paradoxalmente costumavam viver separados dos pecadores, buscavam santidade em extremo, menosprezavam o próximo e justificavam a si próprio.
Os fariseus faziam parte de grupos religiosos, eram bastante arrogantes, orgulhosos, soberbos, egoístas, altivos, prepotentes e exaltados, o termo designa sinônimo de falsidade, eles contrariavam a atuação inicial do reino de Deus, este se revela e atua primeiro no interior, santifica o interior e não apenas o exterior.
Os fariseus tinham uma prática aparentemente correta com relação à lei moral e cerimonial, mas infelizmente não tinham coerência entre a vida religiosa e espiritual; Jesus os repreendeu fortemente, comparando-os a um sepulcro caiado (bonito e limpo por fora, mas horrível e sujo por dentro).
Em fim, essas duas classes de personagens foram o alvo dos ensinamentos de Jesus e pelos menos três verdades centrais ficam aqui registradas (a graça de Deus para os perdidos, o perigo da falsa religiosidade e a disposição de Deus para ensinar o correto relacionamento com Ele e com o nosso irmão).  

A paz do Senhor!

O suporte de Deus na vida e no ministério de Elias






























Texto bíblico: I Reis 17.1-16


Quando olhamos para a criação de Deus e as invenções humanas, percebemos a presença de determinados suportes, no sentido literal, o termo designa a idéia de ajuda, cobertura, apoio ou ponto de equilíbrio, quando aplicado na dimensão espiritual, quanta importância o suporte de Deus oferece para a vida e o serviço que Ele mesmo nos confia, tomemos como exemplo a vida e o ministério de Elias, quer dizer, a vida e o ministério que Deus confiou a Elias, o intuito aqui, é identificarmos e entendermos a veracidade de tal assunto como um princípio extremamente necessário para determinar as bases sólidas de uma vida e um ministério abençoado, bem como sua continuidade e o seu cumprimento, mesmo em meio aos momentos de complexos sentimentais, onde não existam expectativas positivas para tal, como foi o caso de Elias quando pediu a Deus para morrer (final de vida e final de ministério), nem toda oração terá a resposta desejada, mas toda resposta terá uma benção necessária, Deus sabe o que é melhor, Elias não necessitava morrer para por um fim no problema (perseguição da rainha para aniquilar a sua existência e o seu ofício profético), mas necessitava de ânimo e força para continuar o seu longo caminho. I Reis 19.7,8.     
Deus podia levantar profeta em Samaria, (território de Israel, nação escolhida por Deus), contudo, foi em um povoado ou aldeia por nome Tisbe em Gileade, que Deus chamou Elias para um longo percurso geográfico, físico, ministerial e espiritual (Tisbe, Samaria, ribeiro de Querite, Sarepta e novamente a capital de Samaria, Betel, Gilgal e Jericó), em todos estes lugares, contextualizamos o que diz a bíblia, I Reis 18.46; E a mão do Senhor estava sobre Elias; O que significa isso senão for o suporte de Deus em favor da existência, preservação da vida, continuidade e o cumprimento do exercício ministerial? Tentarei fazer uma exposição bíblica progressiva, no final, acredito fielmente que não eu, mas a palavra de Deus irá nos convencer acerca do conteúdo hora exposto.

1º Verso 01 – Após a chamada e a capacitação, o exercício ministerial de Elias começa com a declaração de uma fé monoteísta, com respeito à existência, o controle Divino sobre os elementos naturais e a certeza de Sua presença (o maior suporte para a vida do profeta, posto haver segurança na profecia verbalizada por este), já ouvi alguns afirmarem que foram palavras próprias de Elias, visto que o texto em si está confirmando isso, entendo que o homem de Deus tem autoridade para tal, mas pense comigo agora, que autoridade este mesmo homem teria se primeiro, Deus não estivesse na vida dele, não estivesse com ele, se Deus não lhe confiasse poder, unção e palavras? Vejamos uma referência contextualizada no chamado de Moisés; Êxodo 4.12; Vai, pois agora e Eu serei com a tua boca e ti ensinarei o que hás de falar, Elias e Moisés são passagens diferentes em si, mas se pensarmos no contexto geral de ambas, o princípio é o mesmo (é Deus quem chama, ensina, capacita, envia e usa o vaso para cumprir os seus objetivos), voltando para Elias, o seu falar foi uma expressão fiel do exercício de seu ofício (profeta). 
   
Existe outro detalhe no contexto do verso 1, Elias não começa o discurso profético evocando a sua identificação pessoal, nem mesmo tentando provar ou explicar quando, onde, como e o porque de sua chamada, naquela época o profeta primava o falar a palavra que o Senhor lhe confiava, claro que hoje é muito incoerente ouvirmos um servo de Deus, sem sabermos qualquer informação pessoal e ministerial ao seu respeito, mas que estas informações não acabem sobrepondo os objetivos da chamada bem como a continuidade e o cumprimento de seu exercício ministerial, fazendo o povo pasmar de admiração e expectativas que naturalmente partem de dados exteriores (a capacitação, a formação acadêmica e os títulos conquistados), devemos honrá-lo com toda a honra que lhe é devida, mas precisamos saber que a sua urgente e prioritária missão deve continuar atuando em conformidade com o mesmo princípio do ofício profético (compromisso e responsabilidade com a exposição da palavra de Deus para o povo).            

2º Verso 02 – Deus confere para Elias, outro suporte (Sua palavra), esta por sua vez propunha tudo que o profeta precisava para continuar fazendo a vontade de Deus, viver a sua vida e cumprir o seu ministério, vejamos:

3º Versos 03,04 – Ordem (vai-te daqui), direção (vira-te para o oriente), entre outras lições, o propósito e a providência de Deus era oferecer esconderijo e sustentação (e esconde-te junto ao ribeiro de Querite, beberás do ribeiro e tenho ordenado aos corvos que ali de sustentem).

4º Verso 05 – Obediência (foi, pois e fez conforme a palavra do Senhor).

5º Verso 06 – Sustentação, dependência e preservação de sua vida em diferentes períodos de tempo (os corvos lhe traziam pão e carne pela manhã e pela noite, e bebia água do ribeiro)  

6º Verso 07 – Os efeitos do cumprimento da profecia endereçada ao rei começam a surgir (o ribeiro secou por não haver chuva na terra).

7º Verso 8,9 – Contudo, Deus está no controle e mais uma vez profere para Elias o Seu suporte prioritário (Sua palavra), com basicamente os mesmos critérios anteriores (Ordem, direção, propósito e providência), a partir da qual determina outro percurso, outro lugar e outro meio de sustentação e preservação de sua vida.

8º Verso 10 – Obediência, mais uma vez Elias demonstra a mesma qualidade evidenciada no verso 05 (então ele se levantou e se foi).

9º Verso 14,16 – No uso de seu atributo ministerial, Elias profetizou uma palavra de provisão em favor daquela pobre viúva e o seu filho (a farinha da panela não se acabará e o azeite da botija não faltará até o dia que o Senhor mande chuva sobre a terra), semelhante a Elias, aquela mulher e o seu filho também foram sustentados e preservados; É interessante como Deus prover meios para abençoar dentro de um cenário aparentemente impossível, a mulher estava para fazer a última refeição com o seu filho e juntos morrerem, posto não existir suprimento o suficiente, contudo, lembremos do texto: Porque para Deus nada é impossível Lucas 1.37.     

Conclusão
Citarei a seguir algumas referências bíblicas no intuito de ampliarmos o contexto geral sobre o conteúdo apresentado.
Isaías 41.10 – Não temas porque Eu Sou contigo (o maior suporte, Sua santíssima presença), não te assombres porque Eu Sou teu Deus (suporte com segurança), Eu te esforço (suporte com força), e te ajudo (suporte com auxílio, cobertura), e te sustento com a destra da minha justiça (suporte com sustentação).

Salmos 40.2,3 – Tirou-me de um lago horrível, de um charco de lodo (observe a afirmação do salmista, literalmente falando, em um charco de lodo não existe qualquer ponto de apoio, também não possui qualquer condição que possibilite equilíbrio ou saída, a tendência óbvia é afundar até morrer, ao menos que se peça ajuda e apareça alguém em tempo hábil para o livrar, e foi isto que Deus o fez, claro que no sentido conotativo , basta ler o contexto), Pôs os meus sobre uma rocha, firmou os meus passos (observe que após o livramento, Deus o colocou em um suporte que logo lhe proporcionou equilíbrio e firmeza).

Salmos 91.1-12 – O presente contexto descreve várias formas de sermos beneficiados pelo suporte de Deus (esconderijo, sombra, refúgio, fortaleza, cobrir com as penas, debaixo de suas asas, escudo, habitação), mas o interessante é que praticamente todos esses termos estão voltados para Deus, o que em síntese, significa que Sua presença é o centro de todas as coisas, visíveis e invisíveis, nesse sentido Deus é o nosso ponto de apoio e equilíbrio, posto que quando as coisas não vão bem, é Nele e somente Nele que encontramos o verdadeiro sentido do viver e alívio para nossos dilemas.

Deuteronômio 33.27 – O Deus eterno ti seja por habitação (o suporte de Deus não está restrito a um território geográfico e isso não é contraditório ao relato de Elias, embora tenha cuidado dele nos locais por onde habitou, a realidade é que Ele é a nossa verdadeira habitação, posto que antes de Elias habitar temporariamente no ribeiro de Querite e em Sarepta, sua primeira habitação no sentido espiritual era na presença do Senhor.

Mas voltando para a vida e o ministério de Elias, percebemos que estes foram marcados por intensos movimentos (geográficos, naturais e espirituais), ele fez orações fervorosas, cujas respostas vieram com fogo e água (chuva), o contexto do capítulo 2 de II Reis também expõe movimentos, Elias pede para o seu discípulo Eliseu não o acompanhar, afirmando-lhe que Deus o levaria para Betel, Eliseu o inseparável e incansável o acompanhou, assim o fez com destino para Gilgal e por último para Jericó, por fim, até mesmo no ato de sua elevação ao céu, houve movimentos característicos dos próprios elementos narrados (carro de fogo, cavalo de fogo e redemoinho) II Reis 2.11.

Em Tisbe Elias foi chamado por Deus, em Samaria profetizou para o rei Acabe e foi perseguido pela rainha, no deserto de berseba pediu a Deus para morrer, mas não morreu, ao invés disso, dormiu, mas logo depois foi despertado e sustentado por um anjo, no ribeiro de Querite foi sustentado pelos corvos, em Sarepta sustentado por uma viúva e em Jericó foi separado de Eliseu e elevado para o céu! 
O suporte de Deus foi o suficiente para Elias iniciar, continuar e concluir a sua vida terrena bem como o seu ofício profético, e ainda desenvolver discípulo, no caso, Eliseu, mas ficaremos por aqui.  

A paz do Senhor!

O cristão, seu caráter e seus atributos responsivos

Textos bíblicos: Mateus 5.13-16; João 13.17


Para facilitar a compreensão dos discípulos e da multidão que o seguia, Jesus se utilizava da linguagem conotativa (palavra empregada em sentido figurado para fazer entender o que se tem intenção), Ele falava de coisas e de personagens bastante comuns da época, a fim de que a mensagem do reino fosse compreendida de maneira simples, clara e objetiva.

Na verdade a bíblia como um todo possui inúmeros escritos que expressam termos conotativos, e todos eles possuem em seus contextos, um fundo de verdade em sua real interpretação, quer falem de Israel, da igreja ou dos gentios, por hora pretendo descrever seis delas, com o intuito de reconhecer a importância destes termos no contexto prático da nossa vida cristã, visto nos ensinarem quem somos e quais as nossas responsabilidades diante de Deus e dos homens.
         
1º Vós sois o SAL da terra: Com uso deste elemento, bastante comum daquela época, Jesus torna a mensagem do reino fácil e prática, considerando o conhecimento deles, com respeito a função do SAL (preservar, temperar e dá sabor), Jesus estava afirmando quem os discípulos eram e quais as suas funções no mundo (sociedade). Mateus 5.13.

2º Vós sois a LUZ do mundo: Esse outro texto conotativo é auto-explicativo, todos sabem a função da LUZ (clarear, irradiar, iluminar), ninguém acende um candeeiro para apagá-lo, nem mesmo para deixá-lo em local impróprio, aquela mulher contada na parábola das dez moedas, logo que perdeu uma, acendeu o candeeiro para facilitar a procura, imaginemos quão difícil seria, procurar a moeda no ambiente escuro, entendemos que a LUZ serve para atender necessidades e que não pode haver desperdício de energia, a luz precisa iluminar e continuar iluminando, mas ela também precisa está em pontos estratégicos, quando Jesus falou a parábola das dez virgens, a intenção era de vigilância e preparação, como damas de honra convidadas para a cerimônia de casamento do noivo, elas tinham a responsabilidade de manterem as suas lamparinas acessas, bem como tinham necessidade de levaram o combustível adicional (azeite em suas vasilhas, a fim de que não faltasse LUZ). Mateus 5.14; 25.1-13.

3º SOLDADO: O apóstolo Paulo, no uso da inspiração da palavra, seguiu o mesmo método de aplicação de linguagem conotativa usada anteriormente por Jesus, ao escrever para Timóteo, um jovem obreiro, convidando-o a ingressar no campo espiritual, a fim de agradar aquele que o alistou para a guerra, como SOLDADO, ele foi convocado para sofrer as aflições do evangelho com o seu companheiro (Paulo), todos sabemos que nenhuma coroação, honra e recompensa, pode ser concedida a um soldado sem ele primeiro não viver as aflições, as dores, os sofrimentos e as dificuldades existentes em um campo de batalha, a fim de que possa ser considerado um bom SOLDADO de Cristo.
O bom SOLDADO mantém o foco no alvo, não se distrai facilmente, posto ter em mente alcançar os resultados que lhe foram propostos e confiados, ou seja, ele procura corresponder com a chamada ou o alistamento.
Para ampliar o nosso entendimento com respeito à figura conotativa e semântica de tal personagem, Paulo escreveu aos Efésios o conjunto de componentes ligados diretamente a pessoa do SOLDADO, todos sabemos que o soldado não costuma entrar em guerra, desprovido de armamento, haja vista a referência literal no antigo testamento, cada peça tem sua utilidade e precisão em um conflito ferrenho, seja na defensiva ou ofensiva, portanto se temos da parte de Deus a disponibilidade de tal suprimento bélico, façamos uso, o combate convém e as armas são poderosas em Deus. II Timóteo 2.3-5; Efésios 6.10-17; II Coríntios 10.3,4,                    

4º ATLETA: O apóstolo Paulo também usa a figura de tal personagem, para definir a responsabilidade e o compromisso do Cristão, bem como o seu próprio caráter.
Paulo conhecia as qualidades e as habilidades deste profissional, com base nisso, ele incentiva os cristãos de Coríntios a perseverarem em alcançar o alvo, que por sua vez, é ainda mais motivador e merecedor de todo o esforço do ATLETA, posto não ter valor estimável, nem tão pouco é perecível e findável (um prêmio de caráter espiritual, uma coroa incorruptível) Apocalipse 2.10; 3.11.
Mas para que o ATLETA consiga avançar em direção ao alvo, ele necessita abdicar ou se abster de tudo que atrapalhe e prejudique a sua carreira.
O ATLETA é conhecido pela dieta que regularmente faz, ele não costuma comer todo tipo de alimentação que está ao seu dispor, falo no sentido conotativo tomando por base uma referência literal, o jovem Daniel colocou em seu coração o firme propósito de não se contaminar com os manjares do rei, visto serem de origem profanas, preferiu uma alimentação diferente (legumes e água), existe um dito popular que diz: “Na terra de sapo, de coca com ele”, claro que no bom sentido, faz sentido, porém no mal sentido, ou seja, quando a fé e a vida com Deus é comprometida, por conseguinte a conduta e o caráter cristão também, o enunciado acima perde todo o sentido, observemos que no contexto do caso de Daniel e seus companheiros, nenhum deles se curvaram a estátua do rei, isso comprometeria literalmente, todo aprendizado, fé, devoção, oração, adoração e comunhão com o Deus deles. Daniel 1.8; II Timóteo 6.12
É evidente que o ATLETA é conhecido pela auto-disciplina, mesmo quando tentado a quebrar as regras, mantém a postura de um profissional que foi devidamente ensinado e orientado para fazer a coisa certa no curso do seu trajeto espiritual. Daniel 6.10
O ATLETA não corre na incerteza, ele sabe que tem um alvo e precisa ser persistente, não costuma desistir na prova. Jó 1.9,10, Daniel 12.13; Hebreus 12.1; II Timóteo 4.8; Apocalipse 2.10.
Em fim, a figura de um ATLETA é mais uma forma eficiente de ensinar os cristãos sobre suas responsabilidades no sentido espiritual.

5º O ATALAIA: Este personagem no uso de suas atribuições também tem uma lição a nos ensinar, apliquemos sua função conotativa em nossa vida cristã, apesar de ser mencionado no período do antigo pacto, seu exemplo é aplicável quando falamos de conduta pró-ativa com vistas aos perigos iminentes e contrários à vida cristã (o mundo, o pecado, a carne e o adversário), todos estes são nossos inimigos e nem sempre percebemos a forma como estes nos enfrentam, é exatamente nesse sentido que este personagem entra em ação, visto saber a estratégia que define o ponto de sua permanência, bem como a direção horizontal do seu olhar atencioso, além disso, pesa sobre os seus ombros a responsabilidade de avisar e alertar o povo acerca de perigos ou da aproximação de mensageiros.
Com na responsabilidade profética, Deus constituiu Ezequiel com a mesma atribuição e nomeação conotativa (um ATALAIA espiritual com uma mensagem de ordem espiritual), Deus queria que todos, sem exceção, ouvissem aquela mensagem, a fim de que houvesse preparação espiritual.
Nesse sentido, a igreja de Jesus está na mesma incumbência de propagar, proferir, publicar, pregar, falar, professar, avisar e alertar as pessoas com uma mensagem, também de ordem espiritual, posto que o Deus dos crentes quer perdoar, libertar, justificar, regenerar, santificar, salvar e arrebatar.
A conotação empregada a tal personagem, também diz respeito ao tocar a trombeta, a fim de despertar e levar o povo a uma breve preparação de cunho moral (o povo tinha necessidade de abandonar as práticas pecaminosas, tais como adultério, mentira, prostituição, violência, roubo e inveja) e espiritual (conduzir o povo a se voltarem para Deus, arrependidos, convertidos, humilhados e dispostos a adorá-lo como único Senhor digno de glória e louvor). Joel 2.1.
Em fim, quando pregamos o evangelho do reino, nossas responsabilidades se assemelham com o ATALAIA (olhar atencioso, vigilante, tocar a trombeta, falar, avisar e alertar o povo quanto a necessidade de preparação).

6º SERVO: Preferi deixar para este último ponto, um comentário histórico e bíblico um pouco extenso sobre a vida deste personagem, com o intuito de reconhecemos a humildade e ao mesmo tempo a grandeza, a honra e a recompensa do servir, bem como o seu caráter, seu compromisso, suas atribuições e suas responsabilidades diante do seu Senhor.
Falando da história, desde a antiguidade este personagem tem demonstrado grande exemplo de abnegação e piedade no servir, não é por acaso que os mais influentes e destacados homens de Deus, receberam este título tão nobre, mas tão significativo.

No contexto histórico e no sentido literal, servo era um escravo geralmente comprado por um senhor, este por sua vez exercia autoridade total sobre ele; Depois de comprado, a vida do servo permanecia sob o domínio e os “cuidados” do seu senhor, ou seja, o servo praticamente passava a viver para o seu amo, mas infelizmente, o marco histórico evidencia terríveis períodos de crueldades e barbaridades a eles cometidas, se não bastasse o trabalho desumano que em si já era um agravante que ameaçava e comprometia a sobrevivência humana, eles sofriam os maus tratos dos seus senhores, na alimentação, vestes e calçados, eram violentamente torturados como forma de pressão emocional e física, forçados e constrangidos a fim de que houvesse maior produtividade com horas e horas de trabalhos ininterruptos, conseqüentemente maior lucratividade para os seus senhores, quando apresentavam deficiência física que acarretava na mão de obra, eram presos como bandidos, sendo trabalhadores, no pior de todas as dificuldades, eram mortos por incapacidade e inutilidade para os seus senhores, quer dizer, para o trabalho destes, era um lamentável cenário que logo seria denominado escravidão.

Sob o ponto de vista da sociedade atual, todos estes fatores causados pelo próprio homem, contribuíram negativamente para a desvalorização do servo ou escravo, posto que acima de tudo era o próprio homem racional sendo considerado e maltratado como um animal irracional, contudo, a história registra uma mudança significativa, com o desenvolvimento político, tecnológico, industrial e social, houve liberdade, igualdade e melhor condição de trabalho,

A vida do servo ou escravo foi historicamente marcada pelo serviço, embora bastante desumano, contudo, quando analisamos a sua vida, o seu caráter e o seu servir sob a ótica Divina, temos muito que aprender com este humilde personagem, vejamos algumas referências bíblicas: 

O servo é conhecido pela sua fidelidade, ainda que esteja na ausência do seu amo; José foi fiel quando tentado a possuir sexualmente e temporariamente o que não era seu (a mulher), Ser fiel a Deus, também significa ser fiel ao próximo, o que o servo demonstra ser na presença, deve demonstrar na ausência, sabemos que toda ausência costuma ser atrevida, e isso não só para o pecado da língua, mais também do pensar e do agir, contudo, para o servo fiel mais vale a integridade diante do seu Senhor. Gênesis 39.9; Lucas 16.10-12.

O servo é conhecido pela confiança e a honra recebida, José foi posto mordomo de tudo na casa e no campo do seu amo, na prisão, o carcereiro o nomeou chefe dos presos e no Egito, foi constituído governador. Gênesis 39.4,6,22,23.

O servo é conhecido pela prudência, posto saber até aonde vai o seu limite, José era mordomo de tudo, menos da mulher do seu amo, era também administrador, mas sabia que não era o proprietário. Gênesis 39.9; 41.40, Lucas 19.13,15.

O servo é conhecido pela produtividade e lucratividade dentro de suas possibilidades e responsabilidades, Gênesis 39.2, Lucas 19.15,16, Mateus 25.15,16.

O servo é conhecido por ter um caráter moral conservador, mesmo tentado constantemente a ter relação sexual com a mulher, conservou sua fidelidade (a Deus, ao seu amo e inclusive a mulher). Gênesis 39.10.

O servo é conhecido pelo seu compromisso e mordomia, José mesmo sendo assediado, permaneceu cuidando dos negócios do seu amo. Gênesis 39.11/Mateus 25.16.

O servo é conhecido pela disposição para servir, mesmo no cárcere, estava disposto a ajudar os companheiros (o copeiro e o padeiro) dando-lhes as interpretações dos sonhos. Gênesis 40.6,7.

 O servo é conhecido pela humildade e generosidade, Neemias 1.6; I Reis 8.28,30; Josué 5.14; Gênesis 42.19

O servo é conhecido pela obediência ativa a cada ordem recebida do seu amo, Mateus 8.9; 22.9,10; Lucas 7.8; Efésios 6.5,9.

O servo é conhecido pela perseverança e vigilância enquanto espera o regresso do seu amo, porém não sabendo em que momento este chegará. Lucas 12.37,38.

O servo é conhecido por ter sido escolhido como propriedade exclusiva do seu Senhor. Isaías 41.8

 O servo é conhecido por ser identificado com o nome do seu Senhor. Daniel 6.20.

O servo é conhecido pelo laço amigável e privilegiado que recebeu do seu Senhor. João 15.15.

O servo é conhecido pela mansidão. II Timóteo 2.24.

O servo é conhecido pela alegria e gratidão em servir, com com respeito a generosidade do seu senhor para com ele. Salmos 100.

O contexto bíblico de tudo que nos ensina tal personagem, é muito amplo, simplesmente não temos condições de descrevê-lo em sua exaustão, contudo, é possível percebermos, entendermos e reconhecermos as diferenças marcantes entre o servo no contexto histórico e cultural, sob o regime das autoridades humanas, totalmente opostas ao regime do governo de Deus, basta lembrar a exemplo, a escravidão e opressão do povo hebreu no Egito sob o domínio de Faraó, porém logo depois libertados por Deus através de Moisés.

Conclusão
Dentre os termos de emprego conotativo mencionados acima, de modo geral todos eles expressam o caráter e as responsabilidades cristãs, mas enfatizo aqui, o SERVO, por entender um pouco a sua abrangência e seu significado no contexto bíblico com um todo.  

Apesar do termo “SERVO ou ESCRAVO” soar negativo no contexto social do século XXI, a realidade é que a palavra de Deus nos ensina lições o suficiente para melhorar nossa vida com Ele e com o próximo, com a reflexão, a meditação, a valorização e a importância deste personagem sob a ótica, a autoridade e o cuidado de Deus.
Existem na bíblia, pelo menos dois grandes exemplos de Jesus ensinando a grandeza do serviço de um servo, existe ainda um terceiro exemplo, porém este foge à nossa compreensão de raciocínio, não temos capacidade intelectual para avaliamos o mistério existente na grandeza do servir e da humildade de Jesus, só é possível vivermos este mistério, se atentarmos para as palavras inspiradas do apóstolo Paulo: De sorte que haja em vós, o mesmo sentimento que também houve em Cristo, o serviço do servo necessita está autenticado pelo sentimento de seu Senhor (Cristo) e não pelo seu próprio sentimento, considero este terceiro exemplo bastante profundo, posto nele está presente o mistério da encarnação, Filipenses 2.5-11.

A bíblia diz que mesmo Jesus sendo Senhor, não veio para ser servido, mas para servir, o presente contexto falava sobre autoridade, grandeza, destaque, fama e posição, conforme o pedido de uma mãe para com seus dois filhos (discípulos); Quando Jesus percebeu a indagação e indignação dos outros, logo introduziu uma palavra afirmando-lhes que o método de ascendência e prioridade no reino de Deus não era igual ao método dos gentios. O lema do reino é: Quem quer ser maior, seja servo. Mateus 20.28.

O segundo exemplo está no quarto evangelho, Desta vez, a prática falou muito forte aos discípulos, o ensinamento do mestre visava fazê-los aprender suas responsabilidades na condição de servos chamados para servir, bem como uma surpreendente lição de humildade, visto que o ato não era esperado pelo Senhor, mas apenas pelo servo, Jesus demonstrou para eles, o que eles deveriam demonstrar para o próximo, o modelo do caráter e do servir, era exatamente o mesmo que o mestre ensinou. João 13.1-17.

Finalizo com este último parágrafo conclusivo, citando uma frase que diz: QUEM NÃO VIVE PARA SERVIR, NÃO SERVE PARA VIVER! Servir a Deus e ao próximo, apesar de todas as adversidades aqui existentes, se constitui um dos maiores privilégios de Deus para o homem, Jesus é o nosso maior referencial, sendo Senhor se fez servo e por falar de servo, seu notável exemplo serve-nos de inspiração e motivação para servir, cientes de que quanto cessar o nosso serviço em terra, nosso Senhor nunca nos desprezará, nos levará e recompensará desde a Sua morada e assim estaremos para sempre com o nosso Senhor, o futuro de um servo de Deus será um futuro de glória e eternidade que nada pode ser comparar.

A paz do Senhor.    

03 características do sacrifício de Jesus


Texto bíblico: Hebreus 10.12,14


A carta aos Hebreus é a surpreendente revelação espiritual do que significava todo o sistema de sacrifícios provenientes da lei na época do antigo testamento, sendo esta espiritualidade fundamentada e alicerçada pela superioridade de Jesus, bem como o seu ofício, seu sacrifício, sua perfeição e sua eternidade, é sobre estas características que vou comentar logo após o parágrafo a seguir.

O espírito Santo inspirou o autor a escrever a epístola com palavras bastante conhecidas dos cristãos hebreus, visto estarem bem inteirados na lei, mas não terem a compreensão real do seu significado, havendo necessidade de tal revelação, afim de que a fé deles não mais permanecesse condicionada ao sistema legalista, precisamente ao sistema de sacrifício, mas que alcançasse e avançasse até o calvário, a cruz, o sacrifício de Jesus, o céu e a eternidade com Deus. Hebreus 1.1; 8.5; 10.1.

1º Perfeição: De acordo com o pré-requisito da lei, o animal precisava primeiro ser avaliado pelo sacerdote, antes de ser sacrificado no altar, era uma espécie de olhar detalhista, se aprovado, logo seria apresentado e oferecido a Deus em favor dos homens, ali estava impresso uma das exigências da lei. Levítico 22.17-25.
É interessante citarmos algumas referências de sacrifícios que em certos sentidos alcançaram perfeição, porém nem sempre isso foi uma realidade, daí a iniciativa do próprio Deus se auto-oferecer por nós, basta ler o relato do profeta Malaquias, acerca das imperfeições dos sacrifícios oferecidos a Deus, porém não aceitos por Ele, deixando com isso, uma forte evidência das imperfeições humana.
No livro do gênesis, logo depois da queda nossos pais tentaram improvisar uma vestimenta de folhas de figueira, mas isso não deu certo, apenas por meio de um sacrifício provido pelo próprio Deus, ambos foram de fato vestidos.
No caso de Abraão, temos ali, outro contexto de sacrifício, quando ele sobe ao monte para oferecer a Deus o seu único filho Isaque, não era apenas uma prova de fé, era também uma prova da providência de Deus, que na plenitude dos tempos, iria sacrificar perfeitamente o seu único filho, e este também seria no monte.
Abel também entregou a sua oferta perfeita para ser sacrificada a Deus, como resultado, alcançou testemunho de um homem justo que agradou ao Senhor.
Com esses exemplos de sacrifícios e mais a exigência da lei, Deus estava preparando o cenário para o momento do perfeito sacrifício de Jesus, o qual nos fala até hoje, aqueles sacrifícios serviram de prenúncios até que Jesus concretizasse as promessas e finalizasse todo o sistema de sacrifícios, visto que o homem no seu estado de pecado, não conseguiria oferecer um sacrifício tão sublime e perfeito como o foi o de Jesus, primeiro que tudo que sacrificavam, era da terra, mais Jesus veio da eternidade, por mais perfeito que fosse o animal, o sacrifício deste não dava garantia plena de liberdade em definitivo, mas apenas parcial, afinal de contas, todo o sistema era apenas uma sombra do sacrifício de Jesus, este por sua vez, como um ser divino e perfeito, propôs para o homem, resultados profundamente definitivos e amplamente extensivos, tudo que o ritual da lei determinava acontecer em sua aparência, o perfeito sacrifício de Jesus garantiu todo cumprimento no aspecto espiritual, visto que era para este fim, que o sistema legalista apontava.         

2º Suficiência: Por mais perfeitos que fossem os sacrifícios, eram necessárias inúmeras repetições, em razão das constantes lembranças do pecado, não é possível contabilizar a quantidade de sacrifícios oferecidos durante o sistema da lei, sempre havia espaço para mais um, necessidade de mais um, quantas entradas no santuário portátil, quantos animais, quanto sangue derramado, não estou afirmando que tudo isso foi desnecessário, visto que tiveram seus resultados e por isso não podiam deixar de serem oferecidos, precisavam mesmo continuar sacrificando até que chegasse o tempo da substituição única e suficiente por intermédio do sacrifício de Jesus que ao se entregar, apenas uma vez, passou pelas etapas que lhe estavam propostas, foi preso, julgado, condenado, coroado, crucificado, morto, ressuscitado e elevado ao céu, a fim de abrir o acesso para o homem diante de Deus. Hebreus 9.15,24.
 Tudo foi feito apenas uma vez, sem qualquer necessidade de fazer melhor ou de fazer de novo, Ele é suficiente, portanto, seu sacrifício também é, segundo o relato bíblico, Jesus entrou em um santuário espiritual para oferecer um sacrifício espiritual, posto que os sacrifícios terreno, não possuíam suficiência em si. Hebreus 9.11,12,14,23-28.

3º Eternidade: Essa terceira característica também nos leva a continuar pensando, assim como Jesus é eterno, seu sacrifício também é eterno, todos os sacrifícios oferecidos possuíam limitação quanto ao tempo, nenhum deles conseguiram resistir a este, todos passaram, neste sentido, foram vencidos pelo tempo, posto serem temporais, transitórios e finitos, não afirmo que eles foram inválidos por sua transitoriedade, mas a verdade é que todos foram condicionados ao tempo.
Contudo, o sacrifício de Jesus, não ficou limitado ao tempo (aquele dia, aquela tarde, aqueles instantes), uma vez que além de está na memória e na lembrança da humanidade, tal sacrifício está na eternidade de Deus, portanto, não está condicionado ao tempo sucessivo de anos, meses, semanas, horas, minutos e segundos.
A eternidade prevalece em todos os aspectos do tempo (passado, presente e futuro), ela não tem início e nem fim, o sacrifício ainda não estava concluído, mas por ser eterno e não está submisso ao tempo presente, foi capaz de perdoar aquele malfeitor arrependido crucificado do lado de Jesus, e garantir antecipadamente o encontro de ambos no paraíso eterno.
Na verdade os olhos daqueles que presenciaram o sacrifício, apenas conseguiam vê o ambiente físico que em si, foi profundamente impactado pelas manifestações sobrenaturais de Deus usando os elementos naturais, mas além dessas manifestações visíveis, o escritor aos Hebreus afirma que no âmbito espiritual, ocorreram ações impossíveis de serem vistas na ótica humana, a entrada de Jesus como sumo sacerdote no santuário espiritual, para se apresentar diante de Deus, interceder pela humanidade, assumir as suas transgressões e sacrificar a sua própria vida com um sacrifício eterno. Hebreus 9.11,14,15,24.

Conclusão
O sacrifício de Jesus é como o seu próprio ser, perfeito, suficiente e eterno, não desmerecendo o sistema da lei, visto que este cumpriu o seu papel, servindo de sombra para conduzir o povo até Cristo, este por sua vez, cumpriu tudo o que a lei previa, e mais que isso, nos reconciliou com Deus de uma vez por todas.
É importante pensar nas características deste sacrifício, bem como aceitá-lo na vida prática, o problema é que o pecado que não está tão distante de nós, costuma vir com aparência tentadora e atrativa, prometendo alegria, prazer e satisfação em seus deleites, sendo que sem perceber, ele afasta o homem dos benefícios de tal sacrifício e entorpece sua mente com sobrecargas de pensamentos extremamente mundanos, mas a lembrança da culpa exige aproximação do altar e do sacrifício, em vista de uma tão grande necessidade de ordem espiritual, por isso convém que este volte ao altar de Deus porque há um sacrifício de Deus. João 1.29, Hebreus 9.27,28, perfeito, suficiente e eterno!

A paz do Senhor.                   

A importância da unidade


Texto bíblico: Salmos 133.1


Falar sobre unidade na bíblia é discorrer um assunto bastante notório e significativo, sua abrangência é inquestionável, pensando no seu valor, mostrarei a seguir a essencial presença da unidade em determinadas áreas da vida, antes mesmo da nossa existência.
Do ponto de vista vertical, nos conscientizarmos que a unidade existe desde a mais remota eternidade, de acordo com Gênesis 1.26, a unidade Divina denominada trindade (pai, filho e Espírito) cria a unidade humana denominada tricotomia (corpo, alma e espírito), o projeto de Deus simplesmente inclua unidade, e isso em todos os aspectos.

1º Vida conjugal: Depois que a unidade divina criou o homem, viu que não era bom este ficar sozinho, sem desfrutar os benefícios da unidade, Deus então criou a mulher, agora eram dois, quer dizer um, visto estarem ligados pela unidade conjugal, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e se apegará à sua mulher e ambos se tornarão uma só carne, Gênesis 2.18,24.

2º e 3º Vida familiar e espiritual: Josué e o povo chegaram a conquistar e habitar um território com uma vasta divisão de deuses, a fé se caracterizava pela idolatria e os cultos não passavam de meras práticas pagãs, mas foi naquele contexto totalmente pluralista, que aquele líder os exortou acerca de uma unidade de fé monoteísta a partir de uma demonstração de unidade familiar (eu e a minha casa serviremos ao Senhor), Josué 24.15.
O patriarca Noé, se não conseguiu alcançar mais pessoas com a mensagem do dilúvio, posto ouvirem, mas não se arrependerem, pelo menos ele e a sua família demonstraram obediência e unidade familiar e espiritual (todos entraram na arca), Gênesis 7.1,2.
Rute também não poderia deixar de ser lembrada com respeito à unidade que notadamente e profundamente demonstrou, na área familiar, amigável e surpreendentemente na espiritual (pois como uma mulher de outra nação, não lhe cabia abraçar a fé judaica), Rute 1.16-19.   
Já que fiz menção da unidade da fé, vejamos o que diz a bíblia em outros contextos do novo testamento, Efésios 4.3-6, I Coríntios 12.6, o apóstolo enfatiza a sua importância através do buscar e guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz, através da inspiração que lhe fora confiada para compor os escritos, Paulo entendeu e ensinou que os cristãos eram membros de um só corpo cuja cabeça é o próprio Jesus, independente de nacionalidade, país, cor, cultura, todos foram batizados em um mesmo Espírito, serviam a um só Senhor, recebiam uma só esperança e adoravam um só Deus (unidade da fé).
A unidade também é refletida na oração, na palavra, no louvor e na santa ceia Atos 2.42; 3.1;16.25, por fim, a vida espiritual se caracteriza pela unidade, lembremos ainda que Jesus ensinou isto na metáfora da videira verdadeira, haja vista a frutificação ser o resultado desta unidade existente entre a videira (Jesus) e os galhos (os cristãos), aqui deixo um lembrete, “somos apenas os ramos, ou galhos por onde o fruto aparece, tenhamos cuidado para não pensar que somos a árvore, se assim ocorrer, apenas a folhagem seca vai aparecer, porque sem Ele, nada podemos fazer, inclusive frutificar”, João 15.1-5.
Jesus aproveitou a última celebração da páscoa junto aos discípulos, para envolvê-los em uma profunda unidade de caráter espiritual, enquanto pensavam até então, que o ajuntamento era apenas uma aparente unidade formal, o mestre provavelmente os surpreendeu mais uma vez, posto que fez daquela ceia ou refeição, um grande momento de comunhão e por conseguinte, unidade espiritual, com promessas de repercussão futura e eterna (até aquele dia em que o beba novamente convosco no reino de meu pai), o pão e o vinho eram considerados elementos comuns, mas depois de abençoados, tornaram-se símbolos do corpo e do sangue de Jesus, para que todas as vezes que eles comessem e bebessem, lembrassem do seu sacrifício, da morte e da sua vinda, entre outros significados, a ceia é sempre uma preciosa oportunidade para o fortalecimento da unidade dos cristãos em Cristo. Mateus 26.26-30; I Coríntios 11.23-32, se pensarmos ainda na vida cristã em seus variados e difíceis contextos de sofrimento, angústia, necessidade, medo e aparente separação, nada poderá nos separá de Cristo, estamos unidos a Ele em razão do seu grande amor. Romanos 8.35-39.

A igreja de corinto sofreu severas repreensões do apóstolo Paulo, por determinados momentos não viverem a verdadeira expressão do significado da unidade espiritual, sem citarmos algumas práticas incoerentes nos cultos de ceia, seus membros criaram uma espécie de partidarismo com relação à visão deles sobre o ministério, não que os ministros estavam divididos, mas os membros os sobrepujaram com favoritismo individual e apego demasiado, invés de procurarem entender a utilidade de cada um dentro da unidade espiritual, por não enxergarem isso, houve contendas, invejas e confusões, formaram grupos (eu sou de Cristo, eu sou de Paulo, de Pedro e de Apolo), deixaram de viver a unidade total para viver uma unidade parcial, exclusivista e soberba, deixaram de levantar uma única bandeira, para levantar quatro, nem mesmo o grupo que si dizia de Cristo estava com a razão, que pobre e falível pensamento, nosso Jesus não é um Jesus de grupinhos, nosso Jesus é o Jesus da igreja, independente de grupos, mas a falta de unidade espiritual gerou nos membros um vergonhoso estado de carnalidade, acerca de tal desunião e divisão, Paulo os exortou energicamente com uma palavra de unidade na fala e no parecer como forma de combater a continuidade de tais pecados ali existentes, e ao mesmo tempo levá-los de volta à unidade espiritual. I Coríntios 1.10-13; 3,3,4,6,7,8.      

4º Vida ministerial: Elias e Eliseu, embora de um lado um professor e do outro um aluno até então, apesar da separação determinada por Deus, enquanto pôde Eliseu não abriu mão de sua permanência junto a Elias, não se importou com os olhares e os pensamentos alheios que poderiam surgir como ameaças para a continuidade da unidade ministerial, que apenas Deus seja capaz de interferir em uma unidade perseverante, por três vezes Eliseu insistiu não deixar Elias: Em Betel, em Jericó e no Jordão, de fato apenas Deus os separou, mas a unidade era tão intensa que pelo menos um objeto de Elias ficou com Eliseu, (a capa) e mais que isso, a porção dobrada da unção que capacitava Elias, também capacitou Eliseu, II Reis 2.1-11.
A unidade ministerial também é percebida quando o líder Moisés sobe ao topo de um monte com Arão e Ur e deixa em baixo o comandante Josué na incumbência de escolher homens habilidosos para guerrear contra os amalequitas, está em unidade nem sempre significa está junto fisicamente, se por um lado Moisés, Arão e Ur estavam juntos e demonstraram unidade, por outro Josué e os soldados que estavam em certa distância destes, também demonstraram unidade, ou seja, dos lados, em cima e em baixo a unidade precisa aparecer, tão forte como apareceu por entre aqueles homens, Êxodo 17.8-16.
Segundo Paulo, escrevendo aos Efésios os propósitos de Deus entregar obreiros à igreja, é para que estes proporcionem aperfeiçoamento, edificação, maturidade espiritual, maior números de membros do corpo, conhecimento do filho de Deus e a unidade da fé, e tudo isso em amor, visto que este está intimamente ligado a unidade, pois se estiver desconexo, não chegaremos a esta. Efésios 4.11-16.  
          
5º Vida amigável: Existem vários motivos para o nascimento de uma amizade, mais é importante saber até onde poderá viver esta amizade e qual e a sua base.
O príncipe Jônatas dispunha de todos os artifícios negativos para não ser um verdadeiro amigo de Davi, basta sabermos quem era o seu pai e quais foram os seus intentos e atitudes com respeito a Davi, a fim de entendermos a terrível formação de seu caráter que apesar de ter sido uma autoridade delegada por Deus, Saul não transparecia exemplo digno de ser seguido pelo seu filho, enquanto tornou-se inimigo de Davi, Jônatas por outro lado, tornou-se amigo, enquanto o odiava, Jônatas o amava, para Saul, Davi era um inimigo que nunca pensou em destruí-lo, mas o coração de Saul estava tomado pela ira a ponto de planejar o mal contra ele, contudo, Jônatas planejava o bem, Saul desejava ardentemente a morte de Davi, enquanto que Jônatas desejava preservar-lhe a vida, mesmo que arriscando a sua própria vida, o amor é o principal sentimento capaz de fundamentar uma verdadeira amizade.
Enquanto o rei não permitiu Davi voltar para o seio da unidade familiar, Deus permitiu Davi encontrar-se com o príncipe Jônatas e ambos pactuarem uma belíssima unidade, além de ser considera amigável, também era fraternal, amigo e irmão.
Com respeito a este elo de unidade amigável e fraternal, Jônatas abriu mão do que era dele e entregou para Davi, era o costume da época, como forma de estabelecer uma aliança duradoura, com garantia de resultados presente e futuro, visto que nem mesmo a morte e nem o tempo conseguiram invalidar tal aliança, o príncipe morreu, mas o juramento feito entre ambos, permaneceu intacto, apesar da sua ausência, o rei Davi estava disposto a cumprir o acordo quando perguntou para o seu servo Ziba se ainda existia alguém da casa de Saul para que ele pudesse abençoar, obteve então a resposta que na terra de Lodebar (sinônimo de desprezo, sofrimento e esquecimento) existia ainda um descendente, deficiente físico, cujo nome era Mefibosete, filho do príncipe Jônatas, logo o mandou chamar para lhe abençoar com pelo menos cinco bondades: 1º Honrosa mudança de endereço (de Lodebar para o palácio), 2º Restituição das terras, 3º Sentar à mesa com o rei, 4º Comer pão ao lado do rei e 5º Viver com o rei, I Samuel 18.1-4.

Salomão explica porque é melhor dois do que um, se forem dois, será maior o resultado, se forem dois, quando um cair o outro levanta o seu companheiro, se forem dois dormindo juntos, ambos serão aquecidos do frio, se dois trabalharem, terão maior recompensa, se dois guerrearem, as forças serão maiores e pela unidade ambos prevalecerão, Eclesiastes 4.9-12.

Conclusão
A criação reflete o valor e a importância da unidade, os seres angelicais vivem em unidade, o universo apesar de ser um sistema extremamente complexo, mas é também extremamente coeso e unido, tudo revela a unidade, até o inimigo de nossas vidas sabe o quanto ela é eficaz para alcançar resultados, embora usada no sentido negativo, não esqueçamos que ele é especialista em imitar e sabe que nenhum reino dividido poderá existir, inclusive o seu, mesmo que de forma temporal e finita, visto que no fim de todas as coisas (escatologia), seu império será totalmente destruído, mas não vamos nos ater aqui, dentre os propósitos de Deus, um deles é exatamente a unidade universal dos cristãos e não simplesmente institucional, organizacional e física; Jesus orou ao Pai por esta unidade. João 17.11,20-26.
Em fim, a vontade de Deus é que estejamos em unidade, portanto, pensemos, busquemos, vivamos, promovamos e amemos a unidade, em nome de Jesus!

A paz do Senhor.   

Algumas lições da vida de Abraão


Texto bíblico: Hebreus 11.8-18


Andar com Deus e ser considerado amigo de Deus implica muito mais do que ter comunhão com Ele, na verdade, existe uma série de detalhes de rica importância que eu você precisamos conhecer; Deus não apenas quer que desfrutemos de sua comunhão e companheirismo, se apenas fosse isso, já estaríamos ricamente abençoados, contudo, as bênçãos não param por aí, elas cercam a nossa vida, assim como cercou a vida de Abraão, quando falo de bênçãos, não limito o emprego do termo apenas ao contexto material da vivencia do patriarca, mas me refiro especialmente ao contexto de sua vida espiritual, faço esta distinção por entender o quanto costumam empregar tal palavra apenas no que se refere ao ambiente físico, esquecendo-se do espiritual, e só para nos situarmos melhor na presente narrativa, o que mais marcou a vida do patriarca não foi o ouro nem a prata, mas a fé em Deus; É por esta via que almejo comentar e espero que você caminhe comigo até o final.

1- É sempre bom sabermos que foi Ele quem nos escolheu para nos fez ovelhas do seu pasto, Salmos 100.3, não fomos nós quem escolheu Ele, mas foi Ele quem nos escolheu, João 15.16, sendo assim, a nossa chamada sempre parte de Deus, independentemente do lugar, do momento, da circunstância ou do tempo, Abraão vivia em Ur dos caldeus, uma terra conhecida, porém Deus o chama para outra terra, sendo que desconhecida, Gênesis 12.1, pelo menos três coisas lhe era necessário, FÉ, OBEDIÊNCIA e DEPENDÊNCIA, mas voltando ao território vivencial de Abraão, Josué 24.2 o aponta como uma terra pagã onde a idolatria era bastante cultivada e preservada, obviamente que não havia manifestação de fé monoteísta, pelo menos até Deus chamar este homem e lhe fazer promessas, observem que ele age coerente com o texto de Romanos 10.17, a fé vem pelo ouvir e o ouvir a palavra de Deus.

2- Gênesis 12.4 Depois que Abraão partiu, deu início a uma longa jornada de correspondência com o chamado e as promessas, apesar de avançado em idade, Deus o impulsionou caminhar até Canaã (terra da promessa), ali foi sensível o suficiente para adorar, sentiu necessidade de levantar um altar, sacrificar e invocar o nome do Senhor, a verdadeira vida com Deus, nos leva a levantarmos sacrifícios de adoração ao Senhor aqui e ali; Mas parece um paradoxo o que acontece depois, ele e sua comitiva, se deparam com a fome atuando naquela terra e resolve descer para o Egito, Gênesis 12.1, mas antes de entrar em busca de suprimento, ele pensou no que de ruim poderia acontecer e de imediato elabora um plano estratégico para salvar a sua esposa, mentir não é aconselhável, mas não cabe a nós julgá-lo, visto que estava bem intencionado.

3- A dificuldade da fome contribuiu para a sua peregrinação no Egito, contudo Gênesis 13.1,2 narra a volta de um homem muito abençoado com gado, prata e ouro, não sei quais serão as dificuldades que vão contribuir para a tua benção, mas sei que assim como Deus abençoou Abraão, Ele vai abençoar a tua vida e a tua família, digo isto convicto pela palavra, Deus é o dono do ouro e da prata, Ageu 2.8.

4- Já abençoado Abraão recebe ânimo e vigor para continuar sendo mais abençoado, Gênesis 15.1, Deus fala com ele, mas ele olha para o seio familiar e não vê a semente física da sua descendência, pergunta para Deus: Que me hás de dá, não tem filho? E aí Deus o convida para sair da tenda, levá-lo para um espaço maior e mostrá-lo a grandiosidade da benção a partir da infinidade das estrelas no céu, para Abraão enxergar foi necessário olhar para cima, ou seja, para onde Deus estava lhe dando a direção do olhar (na vertical), Abraão creu, Deus o justificou em razão da fé, lembrou o lugar de onde o tirou, mas Abraão pediu um sinal por não saber como iria ser, Deus o orienta novamente a sacrificar, desta vez com cinco espécies de seres entre animais e aves, durante o ato Abraão enfrentou dificuldade, de dia as aves de rapinas tentaram insistentemente interferir no sacrifício, elas queriam roubar as carnes de sobre o altar para fazer refeição, Abraão precisou afastá-las até o pôr do sol, durante a noite, o patriarca não suportou o cansaço físico e dormiu, mas seu sacrifício foi aceito, visto que ficou marcado pela centralidade da presença de Deus (uma tocha de fogo passou por entre as partes daqueles seres), não permita que nada e nem ninguém consiga atrapalhar o teu sacrifício e o teu culto a Deus, pior ainda, consiga roubar o que você esta ofertando, VIGIE NA TERRA!                       

5- Gênesis 21.2, Deus cumpri a promessa, nasce Isaque, ou melhor, nasce o sorriso, mas em Gênesis 22.1 Deus ainda quer provar a fé de Abraão no sacrifício, sendo que desta vez não seria com animal, pelo menos até então, seria com o seu filho, o seu sorriso, somente uma fé que gera obediência pode ser capaz de motivar um crente a devolver para Deus o que Deus deu para Ele, considero este último episódio, o momento mais marcante na vida deste servo, ele não estava subindo o monte com um animal, ele estava subindo com o seu filho Isaque, seu fruto, sua descendência, seu sorriso, mas desta vez, era Deus que iria provê o animal para o sacrifício, contudo Abraão precisou ser provado, mas acreditando fielmente na providência divina, costumo dizer que Deus não limita a prova apenas nos momentos de dificuldades, posto ter provado Abraão quando este estava nas bençãos, feliz e realizado.     

Deus teve propósitos quando chamou Abraão e lhe fez promessas, este por sua vez reconheceu o quanto foi ricamente abençoado e procurou corresponder com a vontade de Deus no exercício da FÉ, OBEDIÊNCIA e DEPENDÊNCIA, olhando para a sua conduta e o seu caráter, é possível aprendermos como viver uma vida de renúncia, de devoção, de comunhão e de compromisso com Deus, porque na verdade antes de Abraão ter as bênçãos é importante mencionar que ele mesmo era uma benção, foi o que Deus falou: TU SERÁS UMA BENÇÃO, Gênesis 12.2.     

A paz do Senhor.

09 Motivos para pregar o arrebatamento

Texto bíblico: I Tessalonicenses 4.13-18


Se pregar a salvação se constitui um dos maiores privilégios para o homem, pregar o arrebatamento é sem dúvida, um momento glorioso, visto ser entre outras coisas, uma mensagem de alegria, esperança, consolação e edificação espiritual.

Não sou tão maduro na idade, mas lembro e sinto falta do que vi na década de noventa, as igrejas evangélicas costumavam colocar diante do auditório, nos altar ou no púlpito, a seguinte frase: JESUS ESTÁ VOLTANDO, ou JESUS VEM, e isso acabava ficando também na mente e no coração das pessoas, mas hoje, com exceções é claro, estas frases não são mais vistas com tanta freqüência, mas como pregadores do evangelho, não devemos isentar tal mensagem do contexto social no qual estamos temporariamente inseridos, vivemos sob uma forte influência materialista que propaga a existência da vida apenas no ambiente secular, mas lembremos o que escreveu o homem de Deus: SE ESPERAMOS EM CRISTO SÓ NESTA VIDA, SOMOS OS MAIS MISERÁVEIS DE TODOS OS HOMENS, I coríntios 15.19.

Com base em algumas passagens bíblicas, apresento abaixo as seguintes razões:

1º O arrebatamento é uma mensagem de alegria, consolação e conforto. João 14.1; I Tessalonicenses 4.18
2º O arrebatamento é uma promessa de Jesus para a igreja João 14.3
3º O arrebatamento será um evento de encontro e comunhão gloriosa (Jesus e a igreja). Atos 1.11; I Tessalonicenses 4.17
4º O arrebatamento é uma mensagem de exortação e edificação. I Tessalonicenses 5.11
5º O arrebatamento será um evento de pouquíssimo espaço de tempo para acontecer, portanto não haverá tempo de preparação. I Coríntios 15.52.
6º O arrebatamento será um evento onde o corpo corruptível se tornará incorruptível. I Coríntios 15.54.
7º O arrebatamento será um evento onde o mortal se tornará imortal. I Coríntios 15.52.
8º O arrebatamento é uma mensagem de constante vigilância e prudência. I Tessalonicenses 5.6,7


Como obreiros chamados para pregar o evangelho, devemos anunciar urgentemente em alto e bom som, JESUS VOLTARÁ; Que nossa vida devocional também fale isso, não devemos ser diferentes dos nossos primeiros irmãos, eles anelavam confiantemente o ARREBATAMENTO DA IGREJA, por isso diziam: MARANATA, ORA VEM SENHOR JESUS! 

A paz do Senhor.

09 Motivos para pregar o evangelho

Texto bíblico: II Timóteo 4.2

     
Com respeito à genuína pregação do evangelho, acredito fielmente que ao nos depararmos com a exposição da palavra de Deus, uma oportunidade nos é confiada, cabe-nos ouvir atenciosamente o que o Espírito está falando e não endurecer o coração, pois a palavra é fiel e digna de toda aceitação. Hebreus 3.7,8; I Timóteo 4.9.    

1º Pregar é uma oportunidade para obedecer, posto ser uma ordem imperativa de Jesus. Marcos 16.15
2º Pregar é uma oportunidade para se conhecer o dom de Deus. João 4.10
3º Pregar é uma oportunidade para saciar a sede espiritual. João 4.14
Pregar é uma oportunidade para se confessar a verdade. João 3.17,18
5º Pregar é uma oportunidade para se conhecer o Cristo tão falado e tão amado. João 4.29
6º Pregar é uma oportunidade para arrependimento, perdão e recebimento do Espírito Santo. Atos 2.38
7º Pregar é uma oportunidade para falar sobre o único meio de salvação. Atos 4.12
8º Pregar é uma oportunidade para deixarmos a timidez e a vergonha. Romanos 1.16.
9º Pregar é uma oportunidade para combatermos o preconceito pessoal, social e racial, posto que o evangelho não faz tal distinção. Romanos 1.16.

A paz do Senhor.

A harmonia entre a justiça e o amor de Deus

Texto bíblico: I João 4.8,9


O justiça e o amor são dois atributos divinos que embora pareça-nos contrários em suas ações, atua em perfeita harmonia, uma das razões para a nossa dificuldade na compreensão dessa verdade se dá pelo fato de na maioria das vezes buscamos Deus apenas pelo seu lado AMOROSO e BONDOSO, sem considerar que este mesmo Deus que é AMOR e que é BOM, também é SANTO e JUSTO, contudo, sua justiça não anula e nem mesmo contradiz o seu incomensurável AMOR, leiamos Romanos 6.23, aqui temos duas expressões conjuntas que caracterizam nitidamente a presença de tais atributos, primeiro a JUSTIÇA (Porque o salário do pecado é a morte), segundo o AMOR (mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna por Jesus Cristo), veremos abaixo uma exposição bíblica mais detalhada sobre o assunto.

Desde o princípio da criação Deus se revelou com estes atributos, foi assim com Adão e Eva por ocasião do livre arbítrio, visto que este deveria permanecer acompanhado de responsabilidade pessoal mediante o que Deus lhes falara, mas vemos que após a queda, Deus os vestiu com túnicas de pele de animal, o que evidenciou o seu AMOR, por esta razão não estava disposto expulsar o casal do jardim sem pelo menos providenciar a vestimenta que lhes era necessária e adequada, que muito bem representava a figura futura do cordeiro sacrificado na cruz que tiraria o pecado do mundo e moralizaria a raça humana, cobrindo-a de suas vergonhas, Gênesis 3.21, João 1.29; Na continuação do episódio, para fazer valer a sua JUSTIÇA, Deus os lançou fora do jardim e colocou querubins e uma espada inflamada para proteger o acesso a árvore da vida; Deus não tem o culpado por inocente, Naum 1.3, cada um dos três indivíduos presentes na tentação e na queda humana foram inevitavelmente julgados, todavia, nenhum julgamento, por mais doloroso que fosse, poderia invalidar o seu grande AMOR pelo homem e acima de tudo pelo seu próprio nome que é SANTO para todo sempre!

No dilúvio, o gênero humano se corrompeu e Deus resolveu destruir toda a raça, aqui temos uma forte evidência de dois atributos (SANTO e JUSTO), mais adiante, vemos notadamente um Deus que mesmo irado, foi BOM e AMOROSO o suficiente para preservar a vida de um homem e de sua família, pois afinal este era a sua imagem e semelhança que apesar dos atributos comunicáveis estarem tão escassos na terra, ainda existia, Gênesis 6.1-12.

Em Sodoma e Gomora a raça humana mais uma vez decepciona o seu criador, com suas práticas pecaminosas, impenitentes e extremamente imorais, Deus resolve destruir ambas com fogo, isso fala do seu caráter JUSTO, porém antes disso Ele responde pacientemente a oração intercessora de Abraão, se tivessem naquelas cidades de 50 até no mínimo 10 justos, Ele os pouparia por amor destes, pensemos, não era apenas as vidas que seriam preservadas, mas toda a cidade (campos, bosques, jardins, florestas, animais, lavoura, fazendas, moradias, suprimentos etc.) isso fala do seu AMOR e de sua BONDADE conforme explícito no próprio texto, Gênesis 18.23-33, 19-1-28.

Em Nínive, também por questões de pecados (um dos maiores problemas da humanidade em geral, contemporânea e atual), o povo tornou-se alvo do juízo iminente que Deus havia decretado através do profeta Jonas, Ele é JUSTO, mas uma das razões pelas quais nos julga, é para nos levar ao sincero arrependimento, visto que Ele quer perdoar, foi exatamente isso que aconteceu depois que o povo ouviu a mensagem profética, se arrependeram sem exceções e sem reservas, Deus por sua vez, os perdoou! Isso porque o Deus que é JUSTO também é AMOROSO.  

Neste quinto e último ponto quero enfatizar a revelação harmônica dos atributos divinos em questão (JUSTO e AMOROSO) tomando por base o sacrifício expiatório do nosso Jesus no calvário, aqui lembro bem a terceira estrofe do hino dezoito da harpa cristã e finalizo com ela:
 
“Luz divina resplandece...
Mostra ao triste pecador...
Que na cruz estão unidos...
A JUSTIÇA e o AMOR...

A revelação de Deus para o homem foi e continua sendo a de um ser JUSTO e AMOROSO, pensando no cenário da crucificação, é sempre um momento de grande reflexão acerca da presença de tais atributos, por um lado Deus efetuou incalculavelmente o maior ato AMOROSO de todos os tempos, João 3.16, ato este marcado pela entrega, sacrifício e vida eterna, tendo como alvo o próprio homem, devendo este, crê, se arrepender, confessar e aceitar, Romanos 5.8; 10.10.

Por outro lado, o ser JUSTO de Deus também é visto julgando a maior causa humana de todos os tempos (nossos pecados), segundo as exigências da lei, para que houvesse remissão dos pecados, a vítima era necessariamente sacrificada com derramamento de sangue até a morte, Jesus também foi sacrificado e derramou todo o seu sangue até a morte, mas o detalhe é que Jesus não era mais um cordeiro, Ele era o cordeiro de Deus que após ser oferecido em substituição do homem, tomou para si todos os delitos da raça, submetendo-se as mais dolorosas penalidades decorrente de tal julgamento, portando não esqueçamos de olhar para o calvário como fonte de revelação contínua de AMOR e de JUSTIÇA de Deus, posto que para perdoar, Jesus precisou morrer e isso não foi tão simples assim, em outras palavras, o perdão custou um alto preço, preço de sangue puro e sem mácula, mas importa dizer que em Cristo nossas dívidas foram quitadas! Colossenses 2.13,14.  

A paz do Senhor.     

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